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Dia Mundial das Hepatites

28 julho 2018

O fígado exerce diversas funções no organismo tais como as relacionadas com a digestão, armazenamento de energia ou remoção de toxinas.

Uma hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter diversas causas, sendo as mais comuns as infeções virais.

Existem vários tipos de hepatites e a sua gravidade é muito variável. Em muitos casos, a hepatite não se associa a quaisquer sintomas. Mas quando eles ocorrem, os mais comuns são a fadiga, perda de apetite, náuseas, vómitos e diarreia, urina escura, fezes claras, dores abdominais, e coloração amarela da pele e dos olhos (icterícia).

Uma hepatite pode tornar-se crónica e pode evoluir para uma lesão mais grave no fígado, como a cirrose ou mesmo para o cancro do fígado. Diz-se que a hepatite evoluiu para uma forma crónica quando o quadro clínico persiste por mais de seis meses.

As hepatites podem ser provocadas por agentes infeciosos, como bactérias ou vírus, pelo consumo de produtos tóxicos como álcool, algumas plantas e medicamentos. O acetaminofeno (Paracetamol), substância analgésica muito utilizada por crianças e adultos, pode ser hepatotóxica em doses maiores a 4g/dia (cada comprimido tem apenas 500mg ou 1g).

Existem ainda as hepatites autoimunes, que resultam de uma falha no sistema imunológico, quando este começa a produzir anticorpos que vão reagir contra as células do próprio fígado. Esta autoagressão do organismo, que fabrica anticorpos que atacam e matam os hepatócitos pode acontecer porque uma bactéria, vírus ou um fungo contêm na sua constituição uma porção muito parecida com a célula hepática, causando confusão do sistema imunológico. Essa forma de hepatite é mais comum em mulheres, e tem duas faixas etárias principais de acometimento: entre 10 e 30 anos (jovens) e por volta dos 50 anos (meia-idade).

Os vírus mais comuns que causam hepatites são: A, B, C, D, E e G.

A hepatite A e E resultam da ingestão de água ou alimentos contaminados. A hepatite B, C e D requerem o contacto do vírus com o sangue do paciente a partir de outros fluidos contaminados, como pode ocorrer numa relação sexual, numa transfusão de sangue, partilha de seringas ou na transmissão da mãe para o filho durante a gravidez. Descoberta recentemente, a hepatite G é transmitida, sobretudo, pelo contacto sanguíneo.

A hepatite A é frequente em Portugal. De um modo geral, surge na infância ou na fase de adulto jovem. Cura-se ao fim de 3 a 5 semanas e não evolui para doença crónica. Uma vez infetada a pessoa desenvolve imunidade permanente. Inicialmente a hepatite assemelha-se a uma gripe e só depois surge icterícia, falta de apetite e vómitos. A sua prevenção passa por medidas de higiene como lavar as mãos sempre que se contacte com materiais potencialmente contaminados e, no caso de se viajar para países da Ásia, África e América Central e do Sul, optar por beber água engarrafada e ingerir alimentos embalados. Existe uma vacina que é recomendada para pessoas que viajam com frequência ou que permanecem longos períodos em países onde a doença é comum.

A hepatite B afeta cerca de 1,0 a 1,5% da população portuguesa e é talvez, a mais perigosa e grave. Existe vacina para a hepatite B. A hepatite C evolui com muita frequência para formas crónicas. Estima-se que existam 150 mil portadores crónicos deste vírus em Portugal. É a principal causa de cancro do fígado (60% do total de casos) e uma das mais importantes causas de cirrose (25% do total de casos). Não existe vacina para a hepatite C.

O diagnóstico de uma hepatite passa sempre pela observação médica e pela história clínica do paciente conjugados com os exames imagiológicos, como ecografia ou tomografia abdominal e exames laboratoriais como marcadores da função hepática (albumina, transaminases bilirrubinas e o tempo de atividade da protrombina). Com o intuito de determinar a causa são ainda muitas das vezes solicitadas serologias para os diferentes vírus de hepatite e, em casos selecionados, marcadores de autoimunidade.

Na fase aguda (inicial) da doença, o tratamento de hepatite passa essencialmente por permitir que o fígado possa recuperar, sendo importante o repouso físico e a dieta rica em proteínas e baixa em gorduras.

O recurso a medicamentos específicos é importante nas formas mais graves e crónicas da hepatite e deverá ser sempre avaliado caso a caso. Esses medicamentos procuram limitar a multiplicação do vírus e, desse modo, reduzir as lesões causadas ao fígado.

Artigo escrito por Dra. Cláudia de Jesus, especialista em Medicina Interna

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