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Portugal tem “oportunidade de ouro” no combate ao cancro

Atualizado a 21 setembro 2020

"há muito a fazer nesta área em Portugal”

O “Tenho Cancro. E depois?’”, projeto editorial da Sic Notícias e do Expresso, reuniu os seus curadores, a Comissária Europeia para a Saúde, Stella Kyriakides e o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, numa discussão que serviu para esclarecer o que Portugal tem que fazer para se alinhar com as prioridades apresentadas pela União Europeia (UE) na área oncológica.

Em Portugal são 50 mil os diagnósticos de cancro todos os anos. Cerca de um quarto da população portuguesa está em risco de desenvolver cancro até aos 75 anos e 10% podem perder a vida devido à doença oncológica. Um dos maiores fatores de risco continua a ser o envelhecimento da população, devido ao aumento da esperança média de vida, o que traz enormes desafios ao sistema de saúde português.

Apesar das condicionantes que a pandemia impôs, Stella Kyriakides garante que a UE “nunca deixou de trabalhar no plano” e que a sua implementação está prevista já para o final deste ano, o que faz com que Portugal deva olhar para todas as vertentes do cancro de uma forma ainda mais atenta e estratégica, visto que no primeiro semestre de 2021, o país assumirá a presidência do Conselho da União Europeia, função que já desempenhou, anteriormente, por três vezes - em 1992, 2000 e 2007.

“Temos uma oportunidade de ouro ao termos a presidência da UE quase ao mesmo tempo que vai ser lançado o Plano Europeu de Combate ao Cancro. Podemos começar a implementar as recomendações mais cedo e não uns anos mais tarde, como tem vindo a acontecer”, explica Fátima Cardoso, diretora da Unidade da Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud.

Após uma ampla audição pública, na qual Portugal participou, a versão final do plano está praticamente finalizada. Prevenção, diagnóstico precoce, tratamento, qualidade de vida dos sobreviventes e cuidadores e investigação são os principais pilares que o plano abrange, cuja implementação visa minimizar o impacto que o cancro tem a nível económico, político e social.

Apostar na prevenção e equidade no acesso a meios durante toda a fase do processo, incluindo cuidados paliativos, foram alguns dos tópicos que estiveram em destaque durante a discussão e que representam os pontos sobre os quais, segundo os especialistas, o país tem que trabalhar mais.

Prevenção

Segundo a Comissária Europeia para a Saúde, se todos os países cumprissem com as recomendações de prevenção apresentadas pela UE, 40% dos cancros poderiam ser evitados. “A prevenção é, de facto, a melhor forma de prevenir o cancro, mas ainda há muito a fazer nesta área em Portugal”, assume António Lacerda Sales.

Os estilos de vida, onde o tipo de alimentação e o sedentarismo se incluem, têm um impacto brutal no aparecimento do cancro. Também o tabagismo continua a ser uma prática que preocupa os especialistas e, segundo Ana Raimundo, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), “a população está convencida de que as mais recentes alternativas que têm aparecido aos cigarros tradicionais são menos nocivas. Não podiam estar mais enganadas. A UE deve olhar para esta questão com atenção”, conclui.

Equidade no acesso a meios, medicamentos e novas terapêuticas

A garantia de acesso a cuidados - exames de diagnósticos, rastreios, tratamentos, entre outros - e qualidade dos mesmos “são os principais pontos a trabalhar nos próximos tempos”, defende Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Com o desenvolvimento de novas terapêuticas, vem o aumento da sobrevivência e o que se tem verificado é que a incidência do cancro está a aumentar, mas a taxa de mortalidade está a diminuir, questão que se relaciona com o aparecimento de novas drogas. No entanto, nem todos os cidadãos têm o mesmo acesso às novas terapêuticas.

“Quando os medicamentos são aprovados pela Agência Europeia do Medicamento, e esses medicamentos são introduzidos no mercado, acontece que o acesso a esses medicamentos não é feito de forma homogénea entre todos os países da UE. É preciso que os doentes tenham acesso de forma mais rápida a estes medicamentos”, alerta a presidente da SPO.

António Lacerda Sales diz que “o desalinhamento do preço e do valor dos medicamentos é um problema crítico que precisa de uma solução com a participação de todos: doentes, profissionais de saúde, produtores, investigadores e sociedade civil”.

Priorizar cuidados paliativos

É notório, por toda a Europa, que os estados-membros têm desleixado o acesso a este tipo de cuidados. “Com o aumento de casos de cancro, haverá cada vez mais pessoas que vão precisar de cuidados paliativos. Defendo que os doentes têm direito a este acesso”, refere Isabel Galriça Neto, diretora da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz. De recordar que, atualmente, 70% da população portuguesa não tem acesso a cuidados paliativos. “Penso que é uma das áreas que vai sofrer mais modificações nos próximos anos e que precisa da intervenção da Comissão Europeia e do Governo”, acrescenta Vítor Rodrigues.

Apesar do longo caminho que o país tem que percorrer para se alinhar, a vários níveis, com outras práticas europeias na área do cancro, o secretário de Estado garante que Portugal está comprometido em priorizar esta doença, colocando-a na agenda. “Desejamos que o Plano Europeu de Combate ao Cancro receba o financiamento adequado à sua implementação”, assegurando que o país fará, em 2021, um reforço orçamental nesta área.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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