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Os 14 embaixadores do cancro

Atualizado a 02 março 2020

Sugerir soluções no combate à doença

Este ano, a Comissão Europeia definiu o cancro como principal prioridade na área da Saúde e para a próxima presidência portuguesa da UE. É preciso identificar lacunas, definir prioridades e encontrar soluções viáveis e eficazes que sustentem uma estratégia de combate. Os números espelham bem a realidade e a magnitude da problemática: todos os anos, 3,5 milhões de pessoas na União Europeia são diagnosticadas com cancro e 1,3 milhões morrem desta doença. É uma questão global e os 14 curadores do projeto “Tenho cancro. E depois?” parecem estar alinhados com a Europa e o resto do mundo ao defenderem, na primeira reunião de 2020, a seguinte premissa: há que apostar na prevenção, diagnóstico, tratamento e seguimento, assim como na melhoria da qualidade de vida do doente e do sobrevivente oncológico.

No próximo ano, Portugal vai assumir a presidência da União Europeia e há uma intenção geral de manter o país bem posicionado quanto a soluções para pôr o doente oncológico no centro das preocupações dos governantes. Nesse sentido, o projeto apresenta uma novidade em 2020: os curadores do “Tenho cancro. E depois?” irão abordar questões cruciais em reuniões trimestrais com o gabinete do secretário de Estado da Saúde, António Sales, com o objetivo de, em conjunto com o Governo, conseguir melhorar o panorama da oncologia nacional.

Prioridades definidas pelos curadores

Uma das preocupações expressas pela maioria dos curadores é o facto de os dados do Registo Oncológico Nacional (RON) ainda não estarem disponíveis. Espera-se que durante o próximo mês vejam a luz do dia. A informação em questão, juntará dados epidemiológicos e clínicos que ajudarão na identificação de problemas e na tomada de decisões. “Não basta termos acesso aos dados, temos de saber também o que vamos fazer com eles”, alerta Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC). A falta de registadores foi outro dos problemas apontados pelo oncologista Luís Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria e presidente da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro (ASPIC). “Neste momento não há meios humanos suficientes para garantir esse registo”, conclui.

O combate à falta de equidade no acesso do doente a todas as fases é uma guerra antiga, existente no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que teima em permanecer. Nos cuidados paliativos, o problema é “gritante”, assegura Isabel Galriça Neto, diretora do serviço de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz. “Hoje, 70% dos portugueses que precisam de cuidados paliativos não têm acesso aos mesmos. Estamos a falar de dezenas de milhares de pessoas”, sublinha a especialista. Mas o problema ramifica-se a outras fases, como diagnóstico e tratamento, cuja dificuldade ao seu acesso contribui para os elevados tempos de espera. “Há muitas assimetrias a nível nacional do acesso aos recursos e nos próprios recursos disponíveis. O doente não quer o produto mais inovador, quer o produto mais adequado”, diz Margarida Ornelas, presidente do IPO de Coimbra.

Melhorar a interação entre as instituições de cuidados primários e os hospitais é outra das prioridades. “Acredito que os médicos de família devem ser formados e capacitados para lidar com os sobreviventes”, refere Ana Raimundo, a nova presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia. A opinião é corroborada por Fátima Cardoso, diretora da Unidade de Mama do Centro Clínico da Fundação Champalimaud, ao defender que “os cuidados de saúde primários, em todo o mundo, vão ter de ter um papel especial na área da oncologia, deve haver formação específica para estes profissionais. Só assim poderemos seguir e acompanhar todos os doentes e sobreviventes”. Apesar de concordar, Rui Henrique, presidente do IPO do Porto, defende que “a porta dos hospitais deve manter-se sempre aberta aos sobreviventes, caso estes precisem voltar”. Para aumentar a segurança dos médicos de família, no acompanhamento dos seus doentes com cancro, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Rui Nogueira, aponta: “Os médicos de família deviam ter acesso direto, de médico para médico, com os oncologistas.” O especialista sublinha ainda que “o doente oncológico tem de ter um médico de família por lei, porque há uma necessidade enorme de o seguir”.

Hoje, um doente oncológico com doença metastizada precisa de continuar a recorrer à sua junta médica para renovar o atestado que comprove a sua condição. Ou seja, um doente com cancro em estado avançado tem de, constantemente, provar que continua a ter direito a este documento. Segundo os curadores, esta questão deve ser rapidamente resolvida. “Um doente em estado avançado não deveria ter de se deslocar, muitas vezes com dificuldades físicas, a uma junta médica. A informação entre as instituições que tratam o doente e as juntas médicas deveria ser cruzada, de forma a evitar estas deslocações”, aconselha José Dinis, coordenador do Programa Nacional para as doenças oncológicas.

Aumentar a literacia, implementar o rastreio do cancro colorretal em todo o território e criar uma rede que sustente a existência de mais ensaios clínicos em Portugal foram outras das prioridades que mais se ouviram na reunião.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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