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Filipa Gonçalves, 63 anos, cancro da mama

Atualizado a 26 junho 2019

“Sempre fui muito ativa, parecia que 'levava tudo à frente'.”

"Após o diagnóstico, após aquele momento, recorres à 'endurance' porque te preparas para morrer de cancro e não para viver com o cancro. Alterei as minhas prioridades e algumas exigências. Senti uma maior urgência em compreender e agir, sobre o que se passava à minha volta e tive menos atenção e, às vezes, menos paciência para as questões mais comuns do dia-a-dia.

Sempre fui muito ativa, parecia que 'levava tudo à frente'. Hoje, não consigo, as maiores dificuldades são as limitações na parte física.

Hoje, as maiores dificuldades que enfrento são as limitações na parte física. Sempre fui muito ativa, parecia que 'levava tudo à frente'… hoje não consigo, mas é como se o meu cérebro não soubesse...continuo a atirar-me às coisas e a ter que enfrentar que não as posso fazer do mesmo modo ou que não as posso fazer de todo. Isso traz-me alguma frustração.

Por outro lado, pelo pânico de uma recuperação mais demorada e limitativa (tinha 58 anos) não fiz reconstrução. Como também não sou de próteses (postiços), estou sem as duas mamas (sem rodeios), todos os dias me olho e me convenço que aquela sou eu, igualzinha à que tinha mamas... nem sempre resulta.

Quem tem que enfrentar esta doença, não deveria ter que se angustiar com a subsistência. Não deveria ter que 'dar o litro', quando os tratamentos não o permitem.

O que falta aos doentes oncológicos, em Portugal? Acima de tudo falta-lhe recursos nos hospitais públicos. Porque muitos não têm alternativas e têm que aguardar mais do que deveriam. Porque "dormir com o inimigo" é muito doloroso e porque é muito importante a parte humana do atendimento, não há comparação com uma entidade privada. E faltam os outros apoios, a quem vive do seu trabalho e que é pobre. Quem tem que enfrentar esta doença, não deveria ter que se angustiar com a subsistência. Não deveria ter que "dar o litro", quando os tratamentos não o permitem.

Procurem viver alegrias, todas, grandes e pequenas; porque a alegria é a resistência maior para a caminhada.

O conselho que dou a todos aqueles que recebem o diagnóstico de cancro e perante o pânico que se instala (é natural): tenham paciência consigo próprio, porque leva tempo até voltar a racionalizar. Que se rodeiem de amor, que se rodeiem de quem gostam e de quem gosta de si incondicionalmente. Procurem viver alegrias, todas, grandes e pequenas; porque a alegria é a resistência maior para a caminhada."

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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