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Dia Mundial do Cancro: O que mais preocupa os especialistas portugueses?

Atualizado a 11 fevereiro 2020

desmistificar ideias pré-concebidas sobre o cancro

Prevê-se que em 2040 haja cerca de 70 mil novos casos de cancro no país. Neste dia, recordamos quais são as principais preocupações dos especialistas para fazer face a estes números.

Dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Cancro e o seu objetivo principal é desmistificar algumas das ideias pré-concebidas sobre o cancro e informar sobre os fatos reais da doença, sensibilizar a população e mobilizá-la na luta contra o cancro.

Há duas décadas que a doença oncológica é uma preocupação global. A celebração desta data remonta ao ano 2000 e baseia-se na Carta de Paris, aprovada em 4 de fevereiro desse ano, na World Summit Against Cancer for the New Millenium. A Carta apela à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e do tratamento do cancro.

Em Portugal, o cancro é também um assunto sério: Segundo dados do Observatório Global de Cancro (Globocan, 2018) em 2018, Portugal registou 58 mil 199 novos casos de cancro, prevendo-se um aumento para 69 mil 565 novos casos em 2040. Já no que se refere à mortalidade por cancro prevê-se um aumento de cerca de 31%, com quase 38 mil mortes em 2040.

Para além disso, é importante recordar que somos um dos países mais envelhecidos da Europa, sendo que o maior fator de risco para o aparecimento do cancro é, precisamente, o envelhecimento.

Estes são alguns dos problemas comprovados e prioridades por alcançar, identificados por especialistas e instituições, e que são, em si mesmos, os motivos que justificam a existência deste Dia Mundial do Cancro:

  • A incidência de cancro tende a aumentar e todos os anos 9.6 milhões de pessoas continuam a morrer de cancro. Algumas destas mortes seriam evitáveis com maior apoio governamental e financiamento para programas de deteção precoce, prevenção primária e secundária (rastreios) e tratamento.
  • Portugal não tem uma comunidade científica com acesso às melhores condições de trabalho. Pensar numa estrutura e estratégia nacional que permita ao investigadores avançarem com o seu trabalho e que facilite a execução de mais ensaios clínicos no país parece ser um dos focos.
  • Ainda não existe plena equidade no acesso a meios de diagnóstico, tratamento e cuidados em oncologia. Há desigualdades muito acentuadas.
  • Os tempos de espera são demasiado elevados, para diagnóstico, tratamentos e cirurgias.
  • Existe uma necessidade em aumentar a literacia em saúde e a compreensão sobre o cancro, reduzindo o medo causado por mitos, visto que 1 em cada 3 cancros podem ser evitados com a redução dos riscos comportamentais. Mais de 50% dos doentes com cancro conseguem curar-se.
  • Outra das prioridades apontadas é a de criar instituições de apoio a sobreviventes, sobretudo para aqueles que ficam com sequelas tardias. Pensar de que forma é que estes podem regressar à sua vida normal o antes possível é importante.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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