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Descoberta nova forma de diagnosticar o cancro colorretal

Atualizado a 07 maio 2021

Técnica poderá servir também para outros cancros

O responsável por esta investigação, Luís Oliveira, docente do Departamento de Física do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e investigador do Centro de Inovação em Engenharia e Tecnologia Industrial (CIETI) descobriu que os tecidos com células cancerígenas acumulam uma maior quantidade daquele pigmento.

Luis Oliveira lidera este projeto que visa desenvolver uma ferramenta complementar e menos invasiva para o diagnóstico do cancro colorretal, investigação na qual também trabalham Rui Henrique, investigador e presidente do IPO-Porto e professor do ICBAS, e Valery Tuchin, professor e investigador da Universidade Estatal de Saratov, na Rússia.

“A acumulação da lipofuscina é superior nos tecidos com cancro do que nos tecidos saudáveis”, diz Luis Oliveira. Notando que a acumulação do pigmento “cresce com o desenvolvimento dos pólipos cancerígenos”, o investigador explica que , no caso de suspeita de cancro colorretal, através desta técnica não invasiva (atendendo que a prática atual implica uma biópsia) será possível usar a lipofuscina como parâmetro “não só de diagnóstico do cancro colorretal, mas também de monitorização da evolução do cancro nos tecidos da mucosa”. Desta forma, será possível conhecer a quantidade do pigmento existente nas diferentes localizações da parede colorretal e, assim, discriminar se o tecido tem, ou não, lesões neoplásicas, diz o investigador.

Atualmente os investigadores estão a desenvolver novos estudos com tecidos da mucosa em diferentes estados de desenvolvimento do cancro colorretal para tentarem estabelecer uma relação entre o estado de evolução do cancro e o conteúdo do pigmento acumulado. O objetivo seguinte será avançar com um protótipo médico e solicitar uma patente internacional.

A técnica aplicada no caso do cancro colorretal poderá também servir para o diagnóstico de outros tipos de cancro ou de outras patologias, entre os quais, os cancros do fígado e do rim. Com o objetivo de avançar com estes estudos, a equipa submeteu, recentemente, uma candidatura à Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Esta investigação já foi publicada e um segundo artigo sobre o mesmo tema já foi enviado, para publicação na revista American Institute of Physics, com base em “medições que simulam uma situação não invasiva e na qual são aplicadas técnicas de ‘machine learning’ para reconstruir o espetro de absorção”.

Segundo Luis Oliveira, com esta investigação, foi dado o “primeiro passo” para desenvolver uma técnica que pode ser aplicada ao doente, sem necessidade de retirar tecidos.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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