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Os dados foram apresentados no Relatório de Outono de 2019, realizado pelo Observatório Português de Cuidados Paliativos (OPCP), divulgado no dia 15 de janeiro.
Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.
Os cuidados paliativos são uma abordagem médica e humanizada que visa melhorar a qualidade de vida de doentes e famílias perante doenças graves ou incuráveis. Incluem controlo da dor, apoio emocional e social, podendo ser prestados em hospitais, unidades especializadas ou até em casa.
População idosa é quem mais precisa
Cerca de 102 mil doentes adultos e cerca de 8 mil em idade pediátrica necessitaram de cuidados paliativos no ano de 2018. Estima-se que no ano de 2018, a população portuguesa com necessidade de cuidados paliativos, com 18 ou mais anos, foi de 102,452 pessoas, variando entre as 1,083 pessoas em Portalegre (distrito com menor número de residentes nesta faixa etária) e as 22,079 em Lisboa (distrito com maior número de residentes desta faixa etária). Em idade pediátrica, com necessidade de cuidados paliativos, o número foi de 7,828 crianças/jovens, variando entre 69 em Portalegre e as 1,943 em Lisboa.
“Quanto à fase etária dos doentes admitidos, foi-nos indicado, por 57 das 101 equipas (56.4%) um total de adultos de 25,570 (99.6%) em oposição a 90 doentes pediátricos admitidos (0.4%).Como nos doentes, em geral também, o maior número de doentes adultos admitidos foi registado em Lisboa (4,325; 16.9%) enquanto o dos pediátricos aconteceu em Coimbra (67; 74.4%)”, pode ler-se no documento.
O relatório confirma que a população idosa é quem mais precisa de estes cuidados. Há, de facto, maior concentração nas faixas etárias dos 65 aos 89 anos, assim como maior proporção de homens, comparativamente às mulheres, com exceção para as Equipas Comunitárias de Suporte de Cuidados Paliativos (ECSCP) onde se regista um pico de mulheres nas faixas etárias dos 80 aos 89 anos.
Em Portugal, as unidades de cuidados paliativos têm vindo a crescer, mas a cobertura continua insuficiente para responder a todas as necessidades, sobretudo da população idosa.
80% dos doentes admitidos tinha cancro
Em relação aos doentes adultos admitidos em 2018, 80% eram doentes oncológicos. Verificam-se 10,101 adultos com doença oncológica (80.7%), 2,104 (16.8%) com doença não oncológica e 314 (2.5%) admitidos com doença mista. A maior proporção de doentes admitidos com doença oncológica observa-se em Faro (97.8%) e a menor em Braga (46.5%).
No entanto, relativamente aos doentes em idade pediátrica admitidos em 2018 (85), por tipologia de doença e distrito verificam-se 76 com doença não oncológica (89.4%), 7 (8.2%) com doença oncológica e 2 (2.4%) admitidos com doença mista. Ou seja, 90% das crianças admitidas em cuidados paliativos não tinha cancro. A maior proporção de crianças admitidos com doença oncológica observa-se em Lisboa (33.3%) e a menor em Coimbra (4.5%).
“Contrariamente ao preconizado e até aos dados internacionais, em que a maioria dos doentes com necessidades paliativos, tem como base uma doença não oncológica, os dados deste estudo mostram que 80% dos doentes adultos admitidos a estes cuidados têm como base uma doença oncológica. Por sua vez estes valores invertem-se na população pediátrica em que quase 90% apresentam patologia não oncológica”, refere o relatório.
Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.
Este dado mostra a relevância dos cuidados paliativos em oncologia, mas também em outras doenças crónicas e incapacitantes. O acesso precoce a cuidados paliativos pode reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida.
Perguntas Frequentes sobre Cuidados Paliativos (FAQ)
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1. O que são cuidados paliativos?
São uma resposta multidisciplinar que procura aliviar sintomas físicos, emocionais e sociais em doentes com doenças graves ou incuráveis.
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2. Quando devem ser iniciados os cuidados paliativos?
Podem começar logo após o diagnóstico de uma doença grave, não apenas no final de vida, ajudando no controlo da dor e na gestão de sintomas.
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3. Existem unidades de cuidados paliativos em Portugal?
Sim. O país tem unidades hospitalares e equipas comunitárias dedicadas, mas a oferta ainda não cobre todas as necessidades.
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4. É possível receber cuidados paliativos em casa?
Sim. Muitos doentes e famílias optam por cuidados paliativos em casa, com acompanhamento de equipas de saúde que prestam apoio clínico e emocional.
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