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A trilogia das prioridades do cancro

Atualizado a 05 março 2021

Consultas, diagnósticos e tratamentos

Recuperar consultas, recuperar diagnósticos, recuperar tratamentos. A tríade de prioridades na área da oncologia é bastante consensual e, mais que tudo, urgente, quando se olham para alguns dados mais recentes. Os IPO, por exemplo, registaram uma diminuição da referenciação de novos doentes de cerca de 20% a 25%, em média, ao passo que 25 milhões de exames e análises e milhares de rastreios oncológicos ficaram por fazer, de acordo com informações da Ordem dos Médicos.

“Foi um ano muito difícil, a pandemia paralisou completamente os hospitais”, explica José Dinis. O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas foi uma das personalidades presentes esta semana na primeira reunião de curadores do projeto Tenho Cancro. E Depois? e não teve dúvidas em referir os rastreios “como a prioridade número um” no combate ao cancro. Mais de mil cancros do colo do útero, da mama e do colorretal estão por diagnosticar, estima a Liga Portuguesa Contra o Cancro e o seu presidente, Vítor Rodrigues, que defende ser “urgente elaborar e executar planos estruturados de retoma e de recuperação da atividade preventiva, diagnóstica, terapêutica e de acompanhamento, identificando os estrangulamentos que aconteceram e estão ainda a acontecer”.

Apesar dos progressos registados, Vítor Rodrigues acredita que a pandemia colocou a nu “várias insuficiências que se vinham acumulando, paulatinamente, ao longo dos anos” com “a suborçamentação crónica” a tirar progressivamente “recursos humanos e tecnológicos necessários ao rastreio, diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento dos doentes oncológicos”. Por outro lado, verificou-se uma “diminuição do recurso, por parte dos utentes e dos doentes”, o que acabou por contribuir ainda mais para a tempestade perfeita que se abateu sobre a oncologia e que continua a prejudicar a qualidade dos cuidados prestados.

Readaptar

“Os espaços físicos não estavam preparados para proporcionar distanciamento”, explica o presidente da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro, Luís Costa, para quem “houve falta de readaptação de alguns serviços de apoio para a continuidade de prestação de cuidados aos doentes oncológicos, mais concretamente ao nível dos exames complementares de diagnóstico”.

Ainda assim, “os profissionais adaptaram-se rapidamente aos equipamentos de proteção individual e à utilização de meios informáticos para a realização de algumas consultas”, mudanças que se afiguram importantes salvaguardar para que a retoma da atividade oncológica ganhe mais sustentabilidade. Campo onde é essencial, aponta Luís Costa, “garantir a multidisciplinaridade nos hospitais e elaborar um mapa de vagas para diagnóstico/estadiamento/tratamento oncológico, pois só desta forma é que “cada hospital deveria ter definida a sua capacidade oncológica e assim detetar risco para listas de espera”. Importa também “estabelecer um programa de contratação de recursos humanos por objetivos”, tais como o “número de doentes a cuidar” ou a “diferenciação de cuidados a prestar”, sugere.

Há muito a mudar e Tamara Milagre, presidente da Evita — Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes relacionados com Cancro Hereditário, manifesta-se “incrédula” por não se terem envolvido “muito mais cedo os sectores complementares” do campo privado e social que logo “desde março de 2020 ofereceram a sua disponibilidade para negociar uma resposta mais alargada e minimizar as falhas no rastreio, na prevenção, no diagnóstico e no tratamento”. O problema está bem identificado e a responsável pede mais celeridade no planeamento: “Vai fazer agora um ano que estamos a sofrer com esta pandemia, já está na hora de termos aprendido alguma coisa.”

Risco altíssimo

Na opinião de Tamara Milagre, é claro que esta estratégia (ou falta dela) “já custou e ainda vai custar dezenas de milhares de vidas de doentes oncológicos que não foram diagnosticados atempadamente, que não foram tratados devidamente e que, ainda por cima, nem estão incluídos na primeira fase do plano da vacinação”, algo que devia merecer maior reflexão quando a Sociedade Europeia de Oncologia Médica aponta que “os doentes oncológicos internados têm mais 30% de hipóteses de morrer com COVID-19”. A presidente lembra que portadores de mutação genética com “risco altíssimo de desenvolver cancro hereditário” estão há meses em casa “sem fazer a sua vigilância específica ou com a cirurgia preventiva cancelada”. O que se vai refletir mais tarde quando surgirem “com um cancro e provavelmente já com um diagnóstico tardio”.

No mês em que a Comissão Europeia anunciou um novo plano de combate ao cancro no valor de €4 mil milhões, continuam a existir discrepâncias regionais na oncologia, com a presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, Ana Raimundo, a garantir que os “rastreios não cobrem todo o Portugal continental e ilhas de igual forma”. Assimetrias que a pandemia ainda não permitiu corrigir, assim como a redução das listas de espera, que “não foi conseguida por causa das camas e recursos humanos ocupados” com a pandemia. “Para haver resposta covid houve diminuição das respostas não-covid”, sustenta, com a certeza que entre as principais prioridades tem que estar um “planeamento por parte das entidades responsáveis” que contemple “uma verdadeira integração dos cuidados oncológicos com os primários e os hospitalares”.

É a melhor forma de “libertar recursos para meios complementares de diagnóstico” e fazer com que o processo “seja mais rápido”. Contudo, Ana Raimundo considera que “está tudo muito parado” quando “era preciso começar já”. Até porque a provável crise económica que se seguirá à crise sanitária, juntamente com a recuperação de consultas, resultará num novo influxo de doentes aos cuidados de saúde: “O tsunami económico exige planeamento”.

O CALENDÁRIO 2021 DO TENHO CANCRO. E DEPOIS?

- O projeto que coloca a oncologia e a luta contra o cancro em destaque regressa numa altura em que o impacto da pandemia da COVID-19 se faz sentir sobretudo no diagnóstico e na capacidade de prestar tratamentos adequados e atempados aos doentes.

- Até janeiro de 2022 ocorrerão uma série de debates, reportagens na antena da SIC Notícias e análises nas páginas do Expresso, para que possa ter uma imagem alargada dos desafios mais importantes que dominam este campo da medicina.

- Esta semana marcou o reinício do projeto, com a realização da primeira de quatro reuniões de curadores (personalidades destacadas do campo oncológico que dão o seu contributo para definir os temas mais importantes a tratar) na quarta-feira, 24 de fevereiro. Em março acontece a primeira web talk dedicada ao cancro, assim como a primeira reportagem na antena da SIC, no ‘Jornal da Noite’.

- Dose que se repetirá em abril com mais uma web talk e reportagem na SIC, a que se junta a análise no Expresso.

- Maio marca o regresso das reuniões de curadores e reserva-se espaço para nova web talk.

- Em junho haverá lugar a mais uma conversa online, enquanto a SIC emitirá mais uma reportagem dedicada ao projeto.

- A televisão será palco privilegiado em julho, com direito a uma reportagem no ‘Jornal da Noite’ e a transmissão do primeiro de dois debates televisivos.

- Em agosto há novo artigo no Expresso, enquanto setembro assistirá à terceira reunião de curadores e à quinta reportagem na SIC.

- Em outubro e novembro poderá a assistir a duas web talks, a que se junta mais um trabalho televisivo.

- As reportagens na SIC continuam em dezembro, mês que recebe também a quarta e última reunião de curadores.

- Janeiro de 2022 é a data da última etapa, com o segundo debate televisivo e a emissão da oitava reportagem.

Há quase três anos a ajudar na luta

2018 marca o arranque do Tenho Cancro. E Depois? — projeto que ao longo deste tempo tem promovido uma discussão alargada sobre o combate contra ao cancro. O trabalho tem chamado a atenção da tutela política, como é prova a presença assídua nos debates do secretário de Estado-adjunto e da Saúde, António Sales, e já chegou também à União Europeia, com a comissária europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, a estar presente numa das sessões. Entre as iniciativas promovidas, destaque para a parceria tecnológica com a Oracle que permitiu criar a AVA — assistente virtual de apoio ao cancro. Trata-se de uma ferramenta de inteligência artificial que permite dar informações personalizadas e que está ligada a um vasto conjunto de instituições do ecossistema oncológico português.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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