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A colonoscopia é o método mais fidedigno para prevenir o cancro do intestino

Atualizado a 25 junho 2019

Prof. Luis Tomé, presidente SPG

Apesar de não existir um rastreio organizado do cancro do intestino em Portugal, no ano passado, foram realizadas 400 000 colonoscopias em todo o país. É o método mais fidedigno para encontrar e remover os pólipos que podem evoluir para cancro, como sublinha o Prof. Luis Tomé, diretor do Serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG).

Como se pode prevenir o cancro no intestino?

O cancro do intestino (que nós gostamos de designar por cancro colorretal) é um tumor maligno do revestimento do intestino grosso. O intestino delgado raramente desenvolve tumores do seu revestimento.

O cancro colorretal, na generalidade dos casos, desenvolve-se sobre uma formação designada de pólipo. Simplificando, podemos dizer que existem dois grandes tipos de pólipos. Apenas os pólipos adenomatosos evoluem no sentido da malignização.

Os pólipos adenomatosos têm em geral uma longa evolução antes que se transformem num tumor maligno. A probabilidade de um pólipo adenomatosos albergar já um tumor depende do seu tamanho.

Para se antecipar a presença de um adenoma pode pesquisar-se a presença de sangue nas fezes. Geralmente esse sangue não é visível a olho nu e por isso se designa de sangue oculto.

Quando se fala da pesquisa de sangue oculto temos que compreender que a sua positividade nos indivíduos depende do limiar. Se dissermos que positividade equivale a à presença de 80 ug de Hemoglobina (um componente do sangue) por grama de fezes, então 2.4% dos indivíduos sem queixas são positivos;. se usarmos um limiar de 2 ug de Hb por grama de fezes, então 24.7% serão positivos.

Quando usamos uma concentração adequada o teste encontra menos de 20% dos adenomas presentes. Ou seja, para detetar adenomas que são as lesões pré-malignas o teste não serve.

Existem outros métodos para prevenir o cancro colorretal?

O método alternativo é a observação direta do revestimento do intestino grosso. Esta observação pode fazer-se por diversos modos, mas a avaliação endoscópica é o mais comum.

A eficácia da colonoscopia depende do grau de preparação do intestino e da atenção do endoscopista. O grau de preparação afecta muito a capacidade de deteção dos adenomas que podem ficar obscurecidos por resíduos fecais ou por um liquido de lavagem sujo.

Saliente-se que, acima dos 50 anos, os endoscopistas encontram adenomas em cerca de 30 a 35% dos indivíduos. Os métodos em que a visualização se faz por uma análise computorizada das imagens mostram que se perdem cerca de 20% dos pólipos. Estes pólipos que se perdem são geralmente muito pequenos.

Deve salientar-se que autores japoneses que estudaram a evolução dos pólipos pequenos não removidos ao longo de muitos anos mostram que a sua evolução é especialmente lenta.

As normas europeias (chamadas guidelines) dizem que todos os pólipos devem ser removidos o que não tem nenhum sustento científico. Dizem também que uma vez removidos todos os pólipos apenas se deve repetir uma colonoscopia ao fim de 10 anos o que eu considero um imenso disparate como se compreende do exposto.

Os rastreios existentes em Portugal são suficientes?

Em Portugal não existe nenhum rastreio organizado tendo sido revogadas pela própria Direcção Geral de Saúde as normas que tinham sido oportunamente publicadas. Quando essas normas foram revogadas a DGS fez saber que haveria uma produção legislativa (prevista para Setembro de 2018) que enquadraria estas questões.

Em tempos recentes as Administrações Regionais de Saúde têm insistido junto dos médicos de família para que se façam pesquisas de sangue oculto aos doentes. Os doentes positivos deveriam ser conduzidos aos hospitais para realizar colonoscopias.

Ninguém sabe bem por qual razão aos hospitais públicos (trata-se de um preconceito ideológico de gente ignorante) que têm infindáveis listas de espera para atender indivíduos com doenças já definidas.

Para aliciar os médicos dos hospitais públicos a realizarem estas colonoscopias, são criadas condições para a sua realização fora do horário laboral. Deve salientar-se que estes exames são principescamente pagos, a valores que são o dobro daquilo que as Administrações de Saúde pagam aos médicos convencionados para realizarem os mesmos exames nos seus consultórios. Dizendo de outro modo, um imenso esbanjar de dinheiros públicos para satisfazer os tais preconceitos ideológicos.

Há diferença, no que respeita aos diagnósticos e tratamentos, entre o interior do país e os centros urbanos?

A pesquisa de sangue oculto é um teste corriqueiro que pode ser efetuado em qualquer ponto do País.

Em todo o País existe capacidade instalada para realizar colonoscopias a toda a população que delas necessite. De salientar que foram efetuadas 400 mil colonoscopias no ano transacto em Portugal

Os testes de sangue oculto nas fezes são eficazes, como medida de prevenção para reduzir a mortalidade?

Existe quem utilize a pesquisa de sangue oculto nas fezes para diagnosticar precocemente os tumores malignos do intestino grosso.

É indubitável que os tumores malignos colorretais são diagnosticados numa fase mais precoce se os indivíduos forem sujeitos a este teste. Deve contudo acentuar-se que não se trata de profilaxia (profilaxia é encontrar e remover os pólipos) mas de diagnóstico precoce dos tumores.

Tenho Cancro. E depois? é um projeto editorial da SIC Notícias com o apoio da Médis.

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